Lá fora o nevoeiro que deixa tudo embaçado; tudo meio embaçado aqui dentro também. Perdi o foco; não consigo ajustar. Continuo com aquele choro entalado, aquela falta de concentração, aquela indiferença, aquela vontade de passar uma tarde conversando com alguém, um amigo pra quem eu não tivesse vergonha de contar o que realmente se passa - as pessoas aqui parecem felizes e distantes disso (ou talvez só disfarcem melhor), não me sinto à vontade.
Como naquela música do Rush, my ship isn't coming and I just can't pretend. Fico calada, ignoro compromissos e convites, desligo o telefone, visto o pijama e durmo. Ou fico à deriva na internet, ignorando provas e livros, olhando fotografias bonitas e lendo coisas que doem no peito, ouvindo músicas que lembram saudades, corações partidos, planos frustrados, decepções e amores não-concretizados.
E aí você sabe que algo tá indo errado quando você mora sozinha e às vezes te dá uma vontade de fugir. Fugir desse silêncio, desse vazio que grita como um zumbido nas orelhas. Sair correndo na rua até que os pulmões explodam, as pernas amoleçam, os olhos escureçam; até o corpo não agüente, tentando transformar em puramente físico algo que não é. Sendo que muitas vezes essa vontade é de fugir pra casa, aquele lugar agridoce feliz inconvenientemente instalado no meio da cidade de onde você tanto lutou pra sair, mas onde, por lo menos, as pessoas te abraçam longamente, com força, com vontade.
ouvindo: Stability, Death Cab for Cutie.
And I miss you.
Ontem eu afundei numa neblina de saudade que desde então tem-me deixado com os olhos meio embaçados, vendo o passado cheio de nuances que agradam mais do que as cores de agora. E não que eu não goste delas: gosto sim. Mas é que por mais bonitas que as cores sejam, às vezes a gente precisa de algum contorno também; de alguma harmonia no quadro. E isso tem faltado; agora sou só um amontoado de borrões de pincel, tentando fazer sentido. Geralmente consigo. Não hoje.
If you only knew the way I feel
I'd really love to tell you
Eu, você e todo mundo que a gente conhece mudou tanto esses dias que é difícil dizer que a gente ainda sabe quem é quem. Não que isso seja ruim. As pessoas envelhecem, enrijecem, suavizam, amadurecem, mudam de prioridades, de atitudes, aprendem a moldar as circunstâncias ou a fugir delas. É disso que a vida é feita, de um constante fluxo, de ondas de desejo e repulsa, de correnteza de acontecimentos que nos carregam pra longe (seja no sentido conotativo, seja no sentido geográfico). Mas eu queria, sabe?, queria de verdade que a gente pudesse ter compartilhado mais tempo, misturado cores e impressões, invadido o espaço do outro, desenhado um contorno que nos contivesse dentro dele, e vivido de uma maneira diferente coisas que a gente tinha inventado, cada um no seu canto, em longas noites de insônia, quentes tardes de tédio e silenciosas manhãs de rotina.
But I
Can never find the words to say
And I don't know why
Não encontrar as palavras e calar na tentativa de manter a ordem, por compreender as improbabilidades infinitas. Depois sair pelo mundo tentando se enganar. O tempo só torna mais complicado colocar pra fora o que não foi dito na hora certa. Se é que houve uma hora certa. Se é que de alguma forma poderia ter funcionado num plano além do pensamento. Se é que corações não foram feitos só para quebrar e sentir falta. Os anos vão passando e, de muitas maneiras diferentes, sinto sua falta.
But what do I know?
What do I know?
I know.
ouvindo: On a day like today, Keane.
lendo: Mrs. Dalloway, Virginia Woolf.
If you only knew the way I feel
I'd really love to tell you
Eu, você e todo mundo que a gente conhece mudou tanto esses dias que é difícil dizer que a gente ainda sabe quem é quem. Não que isso seja ruim. As pessoas envelhecem, enrijecem, suavizam, amadurecem, mudam de prioridades, de atitudes, aprendem a moldar as circunstâncias ou a fugir delas. É disso que a vida é feita, de um constante fluxo, de ondas de desejo e repulsa, de correnteza de acontecimentos que nos carregam pra longe (seja no sentido conotativo, seja no sentido geográfico). Mas eu queria, sabe?, queria de verdade que a gente pudesse ter compartilhado mais tempo, misturado cores e impressões, invadido o espaço do outro, desenhado um contorno que nos contivesse dentro dele, e vivido de uma maneira diferente coisas que a gente tinha inventado, cada um no seu canto, em longas noites de insônia, quentes tardes de tédio e silenciosas manhãs de rotina.
But I
Can never find the words to say
And I don't know why
Não encontrar as palavras e calar na tentativa de manter a ordem, por compreender as improbabilidades infinitas. Depois sair pelo mundo tentando se enganar. O tempo só torna mais complicado colocar pra fora o que não foi dito na hora certa. Se é que houve uma hora certa. Se é que de alguma forma poderia ter funcionado num plano além do pensamento. Se é que corações não foram feitos só para quebrar e sentir falta. Os anos vão passando e, de muitas maneiras diferentes, sinto sua falta.
But what do I know?
What do I know?
I know.
ouvindo: On a day like today, Keane.
lendo: Mrs. Dalloway, Virginia Woolf.
Uma pessoa melhor


That's 'cause we all wanna be problemless. To fix ourselves. We look for some magic solution to make us all better, but none of us really know what we're doing. And why is that so bad? That's all we humans can do. Guess. Try. Hope. But, Justin, just pray you don't fool yourself into thinking you've got the answer. Because that's bullshit. The trick is living without an answer. I think.
(Thumbsucker)
ouvindo: Foreground, Grizzly Bear.
Olha só,
eu sei que não escrevo aqui há um tempão. Que o propósito de um blog é manter as pessoas informadas de como anda a vida, ou ter uns textos bacanas preenchendo o espaço, mas isso não vai acontecer tão cedo, desculpem. Tou meio perdida na imensidão de compromissos e coisas para fazer, e juntar umas poucas frases que sejam acaba sempre sendo deixado de lado. (Mas pelo menos o Twitter tá vivão.)
E tem tanta coisa que eu queria falar! De como foi receber meus pais na minha outra casa, de como foi a viagem pra São Paulo e o show do Radiohead, sobre conhecer pessoas novas (e legais) de outros estados distantes, mas continuar com poucos amigos em Curitiba. (Minha timidez nem ajuda muito.) Sobre partidas e chegadas, e recomeços e decisões e sobre como eu acho que estou com sinusite e, mesmo sendo uma estudante de saúde e reconhecendo a importância que uma ida ao hospital pode ter, ignoro o fato e permaneço amenizando os sintomas, entupindo as narinas de Vick.
Amanhã tou viajando e deixando pra trás o apartamento que é uma imagem visual da bagunça que eu sou. Eu tenho tentado me organizar, juro. Mas é que às vezes é tanta coisa que você nem sabe por onde começar e talvez precise de uma faxineira para ajudar.
- Uma faxina da alma, como faz?
Hoje eu andei pensando que eu precisava de uma massagem destruidora, que desfizesse todos os mil pontos de tensão desse corpo tão travado. E de um choro que viesse descontrolado e colocasse pra fora todas essas coisas acumuladas de tanto tempo, já solidificadas e tão difíceis de expurgar. Tenho me sentido meio pesada e só o que eu queria era um tantinho mais de leveza.
ouvindo: So alone, Juliana Hatfield.
E tem tanta coisa que eu queria falar! De como foi receber meus pais na minha outra casa, de como foi a viagem pra São Paulo e o show do Radiohead, sobre conhecer pessoas novas (e legais) de outros estados distantes, mas continuar com poucos amigos em Curitiba. (Minha timidez nem ajuda muito.) Sobre partidas e chegadas, e recomeços e decisões e sobre como eu acho que estou com sinusite e, mesmo sendo uma estudante de saúde e reconhecendo a importância que uma ida ao hospital pode ter, ignoro o fato e permaneço amenizando os sintomas, entupindo as narinas de Vick.
Amanhã tou viajando e deixando pra trás o apartamento que é uma imagem visual da bagunça que eu sou. Eu tenho tentado me organizar, juro. Mas é que às vezes é tanta coisa que você nem sabe por onde começar e talvez precise de uma faxineira para ajudar.
- Uma faxina da alma, como faz?
Hoje eu andei pensando que eu precisava de uma massagem destruidora, que desfizesse todos os mil pontos de tensão desse corpo tão travado. E de um choro que viesse descontrolado e colocasse pra fora todas essas coisas acumuladas de tanto tempo, já solidificadas e tão difíceis de expurgar. Tenho me sentido meio pesada e só o que eu queria era um tantinho mais de leveza.
ouvindo: So alone, Juliana Hatfield.
Assinar:
Postagens (Atom)

