27 Outubro 2009

A fine spring morning

É estranho quando você de repente se torna uma das pessoas que costumava criticar; mas é bom também, porque você deixa de ser tão xiita, de se achar tão superior.

Se tem algo que eu gosto de fazer é tentar entender os pontos de vista alheios. Não gosto de julgar, de ter posições absolutas, de ser radical: ouço com cuidado o que as pessoas tem a dizer sobre convicções, sentimentos, experiências. Isso não necessariamente quer dizer que eu vá mudar de opinião, óbvio; mas é bom ter no que pensar e rever o porquê de você acreditar nisso ou naquilo.

É que às vezes, mesmo sem querer, a gente se acomoda com o que tem, se acostuma a achar que a vida é aquilo e pronto, não vai mudar nunca. Em vez de tentar mudar as coisas, você se apega ao que já é conhecido e não oferece risco. Por medo de se machucar (de novo), acaba se protegendo das coisas boas também. Mas a inércia pode ser quebrada e as expectativas, subvertidas. Pode ser que seja uma mudança de cidade, uma catástrofe, uma doença, a perda de algo ou de alguém; pode ser também que seja uma pessoa, que inesperadamente te joga informações um tanto difíceis de processar.

É difícil mudar alguns comportamentos, algumas atitudes cultivadas por muito tempo; mas é bom começar a pensar em possibilidades.

ouvindo: 'Deed I do, Blossom Dearie.
(Ouçam Blossom Dearie, que é lindo. Sobretudo pra quem gosta de mocinhas cantando jazz, fica a dica.)

15 Outubro 2009

Triptano*, me abraça

Já me perguntaram várias vezes de onde surgiu esse nick, Migraine. Foi numa época longínqua em que eu tinha dores de cabeça demais, descobri que era enxaqueca (ou, como preferia o neurologista, migrâneas) e precisava de um login novo pro msn. Na falta de coisa melhor, ficou. E, à medida que os anos foram passando e eu nunca tive um apelido de verdade, além de diminutivo do meu nome super comum, foi ficando e as pessoas se acostumaram com ele. Já pensei em mudar várias vezes, mas nunca me apareceu nada melhor e/ou que já não fosse usado por alguém.

Minha mãe não gosta, porque diz que atrai energias negativas. Às vezes, naqueles momentos em que você quer transferir pra alguém/algo a culpa da sua desgraça, eu fico pensando se ela não estava certa, se toda essa nuvem negra na cabeça não é isso.

Mas tudo bem. Enquanto existirem triptanos, óculos escuros, remédios contra enjôo que te fazem dormir durante horas se preciso e pessoas que ignoram sua chatice evidente e vem cuidar de você, tá tudo bem.

ouvindo: Nugget, Cake.

* evitando sua pesquisa no Google, o serviço pas du tout de informações gentilmente responde: triptano é uma classe de fármacos contra enxaqueca e salvação de muita gente.

06 Outubro 2009

Só pra constar

Existem meses que são melhores do que outros. Existem pessoas que se importam mais que outras (ou que apenas demonstram mais do que outras). Existem momentos que são mais memoráveis que outros. E trilhas sonoras que combinam mais. E lágrimas que vêm mais inesperadas do que outras. E momentos que você gostaria de fotografar. E chuvas mais fortes, e abraços mais confortantes, e dias mais quietos, e sentimentos mais calmos e mais doces e mais duráveis. E domingos mais felizes e manhãs que chegam mais rápido e noites mais bem dormidas.

ouvindo: Mono Prix, Nina Hynes.

15 Setembro 2009

Equilíbrio: não trabalhamos.

Eu só queria que houvesse uma maneira de conseguir me manter contente com vários aspectos da minha vida ao mesmo tempo. Faculdade e coisas extra-currículo, vida social, relacionamentos familiares, realizações pessoais, auto-estima, saúde, paz de espírito, querer a alguém. Porque tem sido - desde sempre - inevitável que, quando uma coisa melhore e me faça feliz, outra sempre desande, desgoverne e saia dos trilhos.

É pedir demais?
(Pergunta sincera.)

ouvindo: You only live twice, The Postmarks.

01 Setembro 2009

We should write this down, so we can remember it

Uma das semanas mais malucas da vida. Acontecimentos tão surreais que sempre que alguém me pergunta eu não sei nem por onde começar a contar. Histórias malucas, acontecimentos bizarros, coisas inusitadas. Mas feliz, sabe? Feliz, empolgada, sorridente, ouvindo e fazendo planos mirabolantes. Achando graça da rapidez com que a vida pode te surpreender; porque às vezes a gente encontra o que queria exatamente quando desiste de procurar (e/ou quando se dispõe a pular de cabeça nas oportunidades).


- I'm you stranger. Jump.

ouvindo: You're my tragedy, everybody loves irene.

22 Agosto 2009

I don't stand a chance, at all

Longas conversas de MSN sobre inadequações, relacionamentos frustrantes ou que nem chegaram acontecer, falta de iniciativa, auto-estima não existente, amores de 5min por perfis no orkut e o desejo de que charme fosse comprável no eBay. (Talvez eu devesse era parar com isso e começar a fingir que eu sou uma pessoa muito gente boa e feliz o tempo inteiro, porque minhas twitadas e esses posts deprimentes só pioram minha imagem.)

A parte ruim de estar em Curitiba é que as pessoas queridas, as poucas com quem me sinto à vontade pra falar sobre isso, estão longe. Aí eu fico aqui, enrolando de madrugada com o trabalho que eu já deveria ter feito há 3 semanas, janela aberta pra sentir o vento na cara, ouvindo bandas recomendadas por desconhecidos, vendo vídeos de música no Youtube e pensando que acordar 5h30 na segunda (quando as aulas finalmente voltarão) e assistir aulas das 7h30 às 18h30 será um sacrifício inominável.

ouvindo: Painter in you pocket, Destroyer.

10 Agosto 2009

... e só acordar depois do meio dia

Essa semana de férias tem sido uma coisa incrível. Sair todo santo dia pra fazer alguma coisa. Diversão non-stop dos gatos pingados que ficaram em CWB durante as férias do porco e turistas de BSB e SP.

Jogar Monopoly categoria Brasil (ou seja, desviando dinheiro e roubando loucamente o tempo todo), comer pizza e ficar assistindo a movimentação das janelas do prédio em frente (numa vibe Rear Window, haha). Bar com banda de blues, risadas descontroladas, muitas rodadas de cerveja e levantar pra dançar no final. Sair pra dançar até o chão e voltar semi-tonta pra casa. Karaokê semi-decadente e a nossa incrível seleção das músicas mais toscamente divertidas. Comer demais num piquenique no parque e encarar a caminhada íngreme da volta quase morrendo. Pub em estilo irlândes com banda cantando rock e presenteando a mesa mais animada (a nossa, claro!) com um EP. Tory chegando às 6h da manhã pra se juntar ao grupo. Jantar de comida mal calculada (sobrou quilos de macarrão) e brownie de sobremesa. Dançar loucamente na balada semi-cheia (melhor, que sobra mais espaço) e com sets empolgantes - vontade de sentar pra aliviar os pés, mas a música não deixava. Passear pela feirinha de artesanato gigante. Double caipirinhas deliciosas alegrando pessoas que não sabem sambar, pra fechar o domingo.

Pobre pobre de marré. Mas feliz.

ouvindo: Me atirar na orgia, Cérebro Eletrônico.

05 Agosto 2009

Não acrescente à sua feiúra natural

Ilustrando o post abaixo, vos deixo com uma figura, gentilmente indicada por analoo:


See? I have a point.
E eu só queria dizer uma coisa: Crocs são a nova pochete. Muita gente usa e se acha o máximo por isso, mas vai ser motivo de chacotas e temas de propagandas sobre breguice nos anos 2020. Me acredite.

ouvindo: Boat behind, Kings of Convenience.

02 Agosto 2009

Panela sem tampa

O grande problema em conseguir ter um relacionamento é que, além de tímida e pouco confiante, eu sou muito facilmente broxável. I mean, são muitas as coisas que fazem com que eu desencante de uma pessoa, geralmente antes mesmo que ela tenha a chance de me encantar por algo significante.



Se você ficou com sono durante um dos meus filmes preferidos, se você ouve músicas que eu não suporto, se você teria coragem de usar Crocs no meio da rua, se você esnoba minha necessidade de ser uma pessoa quieta na minha, se você escreve errado mesmo depois de tantos anos de estudo, se você usa emoticons a cada 10 caracteres no MSN, se você gruda demais.
(Isso é diferente daquelas desilusões que apenas acontecem sem que você ache um motivo e são as piores de todas, para ambas as partes.)

Às vezes poder acontecer de alguma conjunção bizarra dos planetas fazer a pessoa perder os critérios. E no que que dá? A vida te acerta na cabeça. Experiência própria e relatada por várias pessoas próximas. Aí quando acontece, eu volto pra minha concha e pras minhas convicções de que não nasci pro amor e fica tudo normal de novo. Simples assim.

ouvindo: Kim & Jessie, M83.

Como foi seu dia?

Aí que eu resolvi criar esse outro blog. Não é como se eu ainda escrevesse descontroladamente e precisasse ter cem lugares de publicação diferentes, mas é que, morando longe de casa e encontrando pouco com meus pais no MSN, eu precisava de um lugar para dizer a eles que sim, pessoal, estou viva; não, mãe, eu não deixei de comer verduras; pai, hoje eu consertei o computador sozinha!

É um lugar de postagens mais diarinho - pra contar histórias engraçadinhas que acontecem por aqui; mais bobinho - pra ficar mostrando fotos do apartamento e da cidade; mais mulherzinha - pra falar de compras e beleza; menos emo - porque minha mãe simplesmente não precisa saber e se preocupar quando eu estiver deprimida sem motivo.

A quem possa interessar:


ouvindo: Lion in a coma, Animal Collective.