E se eu...

O shuffle do Winamp começou a tocar "O velho e o moço" agora, nessa manhã nublada de São Paulo; fazia tanto tempo que não ouvia essa música e então eu lembrei. Do dia em que ele cansou de ficar deitado, cansou de chorar, desistiu dos tubos e morreu de madrugada, e por mais que a gente sofresse tanto a idéa dele indo embora era tão incompreensível, não mais melancia de colher e caranguejo no quintal, não mais calça listrada de pijama no meio da casa, e a gente não aguentou a confusão de pensamentos e ficou cantando num banco do lado de fora da funerária, enquanto ele era maquiado, essa e Andrea Doria, e chovia, chovia tão forte, Natal nunca chove, mas nesse dia, meu deus, e a gente chorava e apertava a mão bem forte e continuava cantando, sem se importar com desafinos e voz tremendo. Tristemente bonito de ver essa cena na cabeça, hoje parece tão distante e tão cena de filme.

ouvindo: O velho e o moço, Los Hermanos.

Metropolitando

Então que de vez em quando a gente precisa fazer umas coisas assim de repente e sem planejar direito, aproveitando a desculpa de que é jovem e tá no mundo pra isso mesmo; que é pra ter histórias pra contar pros amigos e fotos pra mostrar depois.

Ou seja, tou em São Paulo. Nem contei pra minha mãe ainda, porque a viagem ainda tava meique dependendo do resultado final de Anatomia (a propósito, passei com média 7,0 cravada e uns décimos de misericórdia do professor). Porque eu tinha algumas opções na vida: a) passar por média e dizer em casa que "tou fazendo nada, vou pra São Paulo enquanto o dia de ir pra Natal não chega"; b) ficar de final, vir pra São Paulo assim mesmo e só contar da epopéia depois, pra minha mãe não surtar, "tá de final e vai passear, como é que você faz uma coisa dessas, bah bah bah"; c) ficar de final , desistir do fim de semana e passar 3 dias revisando o livro de 1000 páginas (not!).

Como as notas só foram divulgadas ontem de noite, acabei escolhendo NDA e vim embora pra São Paulo sem dizer em casa, porque não deu tempo. Peguei um ônibus às 23h e pouco, que era pra chegar de manhã cedo, e deu tudo certo. Só lamento não ter guardado mais dinheiro do mês pra poder comprar mil coisas aqui, mas ok. Um dia eu aprendo a economizar.

Tory, minha anfitriã aqui, tá dormindo lá dentro, porque passou a noite na balada de encerramento do semestre da faculdade e eu tou aqui só nerdando um pouco. Pensei em ir na Benedito Calixto de manhã, mas acabei desistindo. Somando preguiça de ir sozinha, medo de se perder e sono de uma noite mal dormida no ônibus, escolhi o sofá e as almofadas do apartamento da tia dela (que parece saído das páginas de uma revista de decoração) pra ficar lendo, ouvindo música e tirando uns cochilos, que é pra poder agüentar o show do Metric com todo o gás daqui a pouco.

ouvindo: Hustle Rose, Metric. (Só no esquenta, haha.)
lendo: Cantiga de ninar, Chuck Palahniuk.

Metáforas

wait! i want a piece!

- So what's wrong with the blueberry pie?
- There's nothing wrong with the blueberry pie, just people make other choices. You can't blame the blueberry pie, it's just... no one wants it.

(My Blueberry Nights)

Contagem regressiva

Faltam pouco menos de 12h pro fim do semestre.

Derretendo

Hoje eu perdi a hora do almoço pra chorar. Foi meio bizarro, geralmente as coisas não me atingem a esse ponto, geralmente eu só engulo, fico quieta e calada, e espero porque depois passa, mas acho que hoje foi a gota d'água numa conjunção de fatores, me encontrou tão desarmada, essas fragilidades de que a gente é feito.

Todo mundo feliz e eu com a cabeça de lado no ônibus, vendo passar do outro lado da rua o Jardim Botânico, pensando nos momentos bons que tive ali em novembro passado e como nunca mais voltei depois disso, e veio uma lágrima e pop! E, além de tudo o que já vinha embolando na cabeça, ainda me veio automaticamente que do ducto lacrimonasal elas chegariam depois ao meato nasal inferior, o que só aumentava meu auto-ódio.

Disfarcei e continuei andando, mas o estômago embrulhou e eu não consegui manter o rosto impassível. Sua tristeza é sempre muito incômoda e toma proporções exacerbadas só pelo fato de as pessoas por perto estarem felizes demais. Fugi delas bem a tempo de virar a esquina sem olhar pra trás e explodir em lágrimas bem no meio da rua.
now i wish that i was secure enough to handle that without a bruised ego and a lot of processed sugar,
Ouvindo: In a sense, Eluvium.

Desespero

Não sou devota de santo nenhum, mas no auge do desespero ante a minha situação precária nesse 1º semestre, fiz duas promessas mirabolantes a quem quer que as aceite:

- se eu passar sem final em Genética, fico um mês sem comer chocolate (e isso inclui cappuccinos!);

- se eu passar sem final em Anatomia, fico um mês sem comer pão.

(Sério, eu sou muito breguinha. Mas o bom é que, se der certo, ajuda a emagrecer.)

Mujeres al borde de un ataque de nervios

"Eu já desisti de emagrecer esse semestre. Preciso tanto descansar.. Agora eu só quero mesmo é sobreviver e chegar em casa", Ana Luiza disse durante o café da manhã e eu nunca concordei tanto com algo.

Últimos dias

Tou surtando e a única coisa que eu tenho vontade nesse momento é de que as provas fossem uma ilusão e que eu pudesse apenas ir pra casa, brincar com meus gatos e andar de bicicleta no sol de manhã cedinho.

ouvindo: Lions, Jonquil.

Fim de semestre

Acabei mesmo indo à aula naquele dia (ver post passado) e indo ao médico à noite. Nada como uma noite de Dia dos Namorados sozinha na sala de espera do pronto atendimento, principalmente se você foi a pé pro hospital e na hora de ir embora está chovendo e você esqueceu de trazer dinheiro pra um possível táxi. Murphy loves me long time. Mas então. Faringite diagnosticada e remédios comprados, estou melhorando, apesar de ainda ter umas tosses meio vergonhosas no meio da aula.

Esta é a penúltima semana de aula, então não esperem me ver muito por aqui (como se minhas aparições estivesse sendo muito freqüentes, anyway). Como sempre, deixei tudo meique pra última hora e tenho agora que correr atrás pra recuperar todo o tempo perdido com a minha vgabundagem e a preguiça inerente aos dias em que se está doente.

Fiz uma garrafa inteira de café e tava comendo uns biscoitinhos, pra não ficar com dor de estômago feito da outra vez. Parei um pouco pra distrair e já volto pros livros. Já me desapeguei dessa história de nota boa, mas é quero passar sem final pra poder ver o show do Metric em SP sem nenhuma preocupação com estudar mais. Se bem que, em se tratando da minha média irrisória em Anatomia, isso é praticamente impossível. Mas a esperança é a última que morre, então a gente continua se empenhando nessas ondas de varar a madrugada estudando, movida a cafeína e 3 meias no pé pra esquentar bem e fugir da tentação de se jogar embaixo do edredon quentinho right now.

A propósito, vi geada pela primeira vez, no gramadão do campus hoje de manhã cedo. Foi a mesma sensação de ver araucárias: realizar um sonho que tinha desde aquelas aulas sobre climas e vegetação do Brasil no ensino fundamental e parecia distante demais. É bem bonito, me fez abrir um sorriso besta de "valeu a pena acordar cedo". Droga que eu tava sem a câmera na bolsa hoje, mas pelas previsões do tempo, deve acontecer de novo ainda algumas vezes antes que eu viaje pra Cidade do Sol onde, pelo que me contaram, agora só chove.

ouvindo: Down the line, José González.
lendo: Flores raras e banalíssimas, Carmem L. Oliveira.

Dodói

Acordei doente de novo, e isso é simplesmente inaceitável dada a quantidade de coisas inadiáveis que eu preciso fazer hoje. Sério, doença é coisa do capeta. Tou aqui procurando o endereço de um pronto atendimento pra ir hoje ver qual é a desse linfonodo inchado no pescoço, mas só de noite, depois que todo o meu extrato vital tiver sido consumido por aulas de Histologia com relatório pra entregar, trabalhos de Genética que eu nem comecei e esforço para compreender o metabolismo dos lipídios (que, aliás, deveria ser uma fonte de estímulo para me fazer parar de comer desesperadamente, o que, no entanto, não ocorre e eu só fica cada vez mais imensa).

Ou talvez... eu devesse realmente ficar em casa, dormir mais um pouco, ir no PA mais tarde e pegar um atestado pra ter desculpa de entregar o trabalho depois, tentar estudar Bioquímica sozinha outro dia, tomar um remédio e dormir mais um pouco.

Hum. Tempting.
:7

ouvindo: Easier, Grizzly Bear.

Sobre o passar do tempo

Daqui pouco mais de duas semanas estarei de férias e voltando pra Natal. Esse semestre foi intenso e ligeiro. Tanto mudou em tão pouco tempo! Eu agora até uso relógio e agenda, como fibras todo dia e parei de roer as unhas. Estar em casa às vezes parece ontem e às vezes parece há séculos. Tenho saudades, mas estou feliz por estar onde estou : good things came to me who waited. E continuo esperando.

ouvindo: Lonely, Yael Naim.