A chuva fria e bem grossa, a cama perto da janela aberta, o rosto molhado, o ventilador ligado no máximo, o lençol amarelo amassado, o coração de pelúcia no chão, o pé engessado apoiado numa almofada, o gato dormindo em cima da mochila, os óculos jogados em cima do livro de cinemática, o sonho sobre tomar o caminho mais comprido.
Fechar a janela. Enxugar o rosto no lençol. Desligar o despertador que toca às seis. Chamar o irmão. Perguntar se o pai já acordou. Falar engrolado. Mudar de posição. Dormir de novo.
- Se a chuva diminuir, eu levanto e me arrumo pra ir à aula.
Um passarinho canta lá fora. 8h30 e algum sol. Dia perdido do cursinho, mais um. O café da manhã sem muita empolgação. Vários gramas de carboidratos, alguns lactobacilos, comprimido de anti-inflamatório. A preguiça de estudar. O caderno com as folhas fora de ordem. (Antes fosse só o caderno.) As músicas de dias nublados. A melancolia. A vontade de alguém por perto, pra balançar na rede ouvindo Muse e conversar amenidades que fizessem rir quando tocasse o Thrills.
Sozinha em casa.
A chuva engrossou.
ouvindo: Blackout, Muse.
Aquela aula de Biologia sobre métodos contraceptivos, ou O porquê do celibato
"O homem é um animal safado durante as 48h - não apenas 24h!, mas 48h do dia. E peçonhento! Ele tem um veneno perigosíssimo chamado esperma, que pode deixar você comprometida economicamente para o resto da sua vida."
ouvindo: Shitty Little Disco, Arms.
ouvindo: Shitty Little Disco, Arms.
Sambando de botinha
E que maneira mais bacana do que voltar a blogar do que contando desgraça? Porque o que dá audiência mesmo, além de coisas engraçadas (que nunca foram o meu forte), é bunda desgraça alheia.

Quebrar o pé não é a parte ruim. Nem dói tanto. Ruim é tomar banho sentada numa cadeira de plástico, dormir com o pé elevado, ter dificuldade em achar a lata de leite condensado que fica na parte de baixo do armário, perder toda uma certa independência conquistada graças à existência de transportes coletivos. Cinema, róque na Ribeira, passeios inocentes por aí - tudo suspenso por 40 dias.
Nunca tinha fraturado nada na vida e a sensação não é das melhores. Mas a parte medíocre é que não existe qualquer história interessante para contar sobre o fato. Nada de ensaiar coreografias, pular de cima do muro, fugir de ladrão durante a madrugada. Foi tudo causado por uma simples pisada de mau jeito no meio do shopping; chão lisinho e eu tentando correr os 100m rasos.
A parte engraçada são reclamações por não estar deitada e pessoas fazendo questão de que você não vá à aula. Mas nem isso compensa as muletas e o calor dusinferrno que faz dentro dessa bota que desafia todo o meu senso estético.
ouvindo: The Railway House, Patrick Wolf.
lendo: Nada de novo no front, Erich Maria Remarque.

Quebrar o pé não é a parte ruim. Nem dói tanto. Ruim é tomar banho sentada numa cadeira de plástico, dormir com o pé elevado, ter dificuldade em achar a lata de leite condensado que fica na parte de baixo do armário, perder toda uma certa independência conquistada graças à existência de transportes coletivos. Cinema, róque na Ribeira, passeios inocentes por aí - tudo suspenso por 40 dias.
Nunca tinha fraturado nada na vida e a sensação não é das melhores. Mas a parte medíocre é que não existe qualquer história interessante para contar sobre o fato. Nada de ensaiar coreografias, pular de cima do muro, fugir de ladrão durante a madrugada. Foi tudo causado por uma simples pisada de mau jeito no meio do shopping; chão lisinho e eu tentando correr os 100m rasos.
A parte engraçada são reclamações por não estar deitada e pessoas fazendo questão de que você não vá à aula. Mas nem isso compensa as muletas e o calor dusinferrno que faz dentro dessa bota que desafia todo o meu senso estético.
ouvindo: The Railway House, Patrick Wolf.
lendo: Nada de novo no front, Erich Maria Remarque.
Sobre voltar
E não é que exista inconstância nas decisões tomadas. (Se bem que, na verdade, existe sim.) Mas a questão de fato é: já são tantas as convenções obedecidas (perceptíveis ou não) que, quando possível, faz-se o que se tem vontade.
Houve um tempo em que eu senti vontade de sumir.
De certa forma, o fiz.
E não me arrependo: essa idéia de arrependimento ficou meio vaga de uns tempos pra cá, um cheiro distante de algo que muitos comentam, mas que você não sabe exatamente se já provou ou não.
Mas veja bem. Decisões têm consequências e a mais imediata delas foi: se o costume de falar pelos cotovelos com qualquer par de ouvidos num raio de 5km nunca foi plenamente desenvolvido, ficar sem escrever causou uma certa congestão mental. E mais: telefones não são artifícios válidos e os programas de mensagens instantâneas andam pouco visitados. O que fazer com as frases e as sensações e as idéias e as impressões e as besteiras (também elas, por que não?), tudo misturadoando-se por aqui?
Dito isso, chega de blá-blá-blá: estou de volta.
(E anuncio isso como se já não fosse de alguma forma esperado, cedo ou tarde.)
Eu e o abuso de pontuação e as idéias trocadas e as bobices de sempre. Sem grandes pretensões de minha parte, sem grandes expectativas de sua, por favor.
Fora isso, seja bem-vindo.
Houve um tempo em que eu senti vontade de sumir.
De certa forma, o fiz.
E não me arrependo: essa idéia de arrependimento ficou meio vaga de uns tempos pra cá, um cheiro distante de algo que muitos comentam, mas que você não sabe exatamente se já provou ou não.
Mas veja bem. Decisões têm consequências e a mais imediata delas foi: se o costume de falar pelos cotovelos com qualquer par de ouvidos num raio de 5km nunca foi plenamente desenvolvido, ficar sem escrever causou uma certa congestão mental. E mais: telefones não são artifícios válidos e os programas de mensagens instantâneas andam pouco visitados. O que fazer com as frases e as sensações e as idéias e as impressões e as besteiras (também elas, por que não?), tudo misturadoando-se por aqui?
Dito isso, chega de blá-blá-blá: estou de volta.
(E anuncio isso como se já não fosse de alguma forma esperado, cedo ou tarde.)
Eu e o abuso de pontuação e as idéias trocadas e as bobices de sempre. Sem grandes pretensões de minha parte, sem grandes expectativas de sua, por favor.
Fora isso, seja bem-vindo.
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