Tem gente que não usa relógio porque não gosta, já eu não uso porque não consigo. Sempre arranjo um jeito de quebrá-los, da maneira menos poética/divertida/dramática; é sempre culpa do meu estabanamento.
Teve aquele da Marylin, artesanal lá da feirinha do Largo da Ordem, feito de CD e com um ímã nas costas, pra ficar pendurado lindo da geladeira que eu derrubei no chão e foi peça pra todo lado. Teve aquele vermelho da Imaginarium, redondinho e fofo, que eu derrubei da escrivaninha e quebrou a pecinha de levar a energia da pilha pros mecanismos lá dentro. Teve aquele de pulso que eu estraguei as pulseiras que eram lindas, cheias de quadradinhos, e agora eu uso só de chaveiro até encontrar umas pulseiras novas que sirvam. Tudo isso nos últimos 6 meses, pra não falar de antes.
Quero dizer, ter problemas com o tempo devia ser apenas uma metáfora, mas até isso, inconscientemente, eu levo ao pé-da-letra.
ouvindo: Little lover's so polite, Silversun Pickups.
Superproteção
Você tem certeza de que sua mãe é exagerada quando ela reclama que você, numa noite quente de verão, durma com a janela do quarto aberta. Mesmo considerando que você mora num apartamento no - vejam bem - 12º andar.
E mais ainda quando, sob protestos seus de "olha a paranóia, criatura!", ela começa a contar histórias de bandidos-escaladores que, na calada da noite, sobem pelas paredes para assaltar as casas alheias.
ouvindo: Ulysses, Franz Ferdinand.
E mais ainda quando, sob protestos seus de "olha a paranóia, criatura!", ela começa a contar histórias de bandidos-escaladores que, na calada da noite, sobem pelas paredes para assaltar as casas alheias.
ouvindo: Ulysses, Franz Ferdinand.
mutismo
dia desses, supermercado
tão dona de casa e do nariz,
escolhendo fragrância de sabão em pó pras minhas roupas de todo dia,
um cheiro que agradasse a quem se abraça
(nenhum abraço em especial em mente)
quando,
de repente,
assim sem mais,
entre músicas aleatórias e dispensáveis
tocou uma que
teria me feito chorar, se eu ainda conseguisse;
que me fez lembrar de você
- de você e de todas as histórias que a gente não viveu,
e de todo o hiato a que nos impusemos,
e da minha covardia em admitir que
eu só queria que você soubesse
que a minha maior vontade naquele dia tão impropício de adeus
era dizer que era tudo recíproco,
que eu não imaginava que você
fosse um dia pronunciar aquelas coisas todas.
e fiquei calada,
sentindo o cheiro da tua camisa,
cheiro bom de sabão e perfume e pele,
silêncio pesado,
apenas porque era doloroso demais lidar.
[a vida é feita de momentos estranhos,
pedaços pequenos de pequenos absurdos.]
e me fez lembrar como naquele dia,
(outro dia, bem depois)
eu quis te falar tanta coisa,
esclarecer, retomar, pedir desculpa,
mas era tão complicado
- tão absurdamente inexplicável -
que eu apenas respirei fundo e fingi
que nada tinha acontecido,
que o tempo tinha apagado todos os erros,
que era possível esconder a ponta de dor que despontava
porque pareceu mais fácil,
mas não era.
cheguei em casa
querendo que as coisas pudessem ter acontecido de uma outra maneira,
feliz ou triste, tanto faz,
contanto que apenas mais intensa,
menos velada.
só que
cada um com uma vida própria,
a vida tem vida própria,
e a gente nem controla,
só se abandona,
e navega
e flutua
- enquanto pode.
ouvindo: The akara, Beirut.
lendo: Crônica de um amor louco, Charles Bukowski.
tão dona de casa e do nariz,
escolhendo fragrância de sabão em pó pras minhas roupas de todo dia,
um cheiro que agradasse a quem se abraça
(nenhum abraço em especial em mente)
quando,
de repente,
assim sem mais,
entre músicas aleatórias e dispensáveis
tocou uma que
teria me feito chorar, se eu ainda conseguisse;
que me fez lembrar de você
- de você e de todas as histórias que a gente não viveu,
e de todo o hiato a que nos impusemos,
e da minha covardia em admitir que
eu só queria que você soubesse
que a minha maior vontade naquele dia tão impropício de adeus
era dizer que era tudo recíproco,
que eu não imaginava que você
fosse um dia pronunciar aquelas coisas todas.
e fiquei calada,
sentindo o cheiro da tua camisa,
cheiro bom de sabão e perfume e pele,
silêncio pesado,
apenas porque era doloroso demais lidar.
[a vida é feita de momentos estranhos,
pedaços pequenos de pequenos absurdos.]
e me fez lembrar como naquele dia,
(outro dia, bem depois)
eu quis te falar tanta coisa,
esclarecer, retomar, pedir desculpa,
mas era tão complicado
- tão absurdamente inexplicável -
que eu apenas respirei fundo e fingi
que nada tinha acontecido,
que o tempo tinha apagado todos os erros,
que era possível esconder a ponta de dor que despontava
porque pareceu mais fácil,
mas não era.
cheguei em casa
querendo que as coisas pudessem ter acontecido de uma outra maneira,
feliz ou triste, tanto faz,
contanto que apenas mais intensa,
menos velada.
só que
cada um com uma vida própria,
a vida tem vida própria,
e a gente nem controla,
só se abandona,
e navega
e flutua
- enquanto pode.
ouvindo: The akara, Beirut.
lendo: Crônica de um amor louco, Charles Bukowski.
Here we go again
Estou em Curitiba de volta. Viva e sozinha, sobrevivendo no apartamento que tá um caos e eu não tenho tempo/disposição pra arrumar. A geladeira desligada, cheia de mofo, porque foi desligada e ficou fechada, antes que a água tivesse chance de evaporar. Tentei tirar a cera velha e só consegui deixar pior que antes. Mas lavei o banheiro, porque banheiro sujo não faz sentido algum.
[Também não é como se as coisas precisasse exatamente de um sentido pra existir ou acontecer; a gente vai levando do jeito que dá. Minhas caixas de som com subwoofer, elas salvam a minha vida todas as noites.]
Queria chamar uma faxineira, mas já tenho tanta coisa pra fazer nos próximos dias, depois de 2 meses da mais completa vagabundagem e espontânea ignorância com os fatos, que acho que o jeito vai ser faltar aula ou abandonar a mulher sozinha lá. Não que eu tenha medo que roube alguma coisa - nem tem muito o que roubar por ali -, mas é que na 1ª vez que a pessoa vai fazer um serviço, algumas orientações são sempre bem-vindas. [Bem-vindas? Benvidas? Depois dessa história de reforma eu não sei mais escrever. Ainda bem que eu não faço jornalismo.]
Assumi responsabilidades que eu não sei se consigo levar, mas continuo tentando. Talvez seja apenas uma tentativa desesperada e inconsciente de chamar atenção, como se ser unimpressive já não fosse tão ok assim. Mas tenho dormido bem, rido um bocado e me apaixonado platonicamente durante uma noite por rapazes bonitos que tocam flauta e nunca mais verei. Continuo lendo nos ônibus e desligando o despertador do celular, ainda não sei se vou gostar do semestre, mas parada já vi que não vou conseguir ficar.
É. Vou bem, obrigada.
ouvindo: Absolution, Muse.
[Também não é como se as coisas precisasse exatamente de um sentido pra existir ou acontecer; a gente vai levando do jeito que dá. Minhas caixas de som com subwoofer, elas salvam a minha vida todas as noites.]
Queria chamar uma faxineira, mas já tenho tanta coisa pra fazer nos próximos dias, depois de 2 meses da mais completa vagabundagem e espontânea ignorância com os fatos, que acho que o jeito vai ser faltar aula ou abandonar a mulher sozinha lá. Não que eu tenha medo que roube alguma coisa - nem tem muito o que roubar por ali -, mas é que na 1ª vez que a pessoa vai fazer um serviço, algumas orientações são sempre bem-vindas. [Bem-vindas? Benvidas? Depois dessa história de reforma eu não sei mais escrever. Ainda bem que eu não faço jornalismo.]
Assumi responsabilidades que eu não sei se consigo levar, mas continuo tentando. Talvez seja apenas uma tentativa desesperada e inconsciente de chamar atenção, como se ser unimpressive já não fosse tão ok assim. Mas tenho dormido bem, rido um bocado e me apaixonado platonicamente durante uma noite por rapazes bonitos que tocam flauta e nunca mais verei. Continuo lendo nos ônibus e desligando o despertador do celular, ainda não sei se vou gostar do semestre, mas parada já vi que não vou conseguir ficar.
É. Vou bem, obrigada.
ouvindo: Absolution, Muse.
Voltando
Hoje eu comecei a arrumar as cuias pra voltar pra Curitiba. Separar as coisas que provavelmente não uso daqui pra terça, amontoando tudo na mala aberta. Tentar não esquecer de nada que vá fazer falta durante o semestre, medir vontade de levar vs. espaço na mala + possibilidade de pagar muitos quilos de excesso, ponderar se - com as banhas a mais - vale a pena ou não levar tal roupa. Tudo isso enquanto reflito sobre a inutilidade que foram essas férias.
Quero dizer. Foi muito legal ficar de bobeira, dormir muito, rever minha família e alguns amigos (sobretudo alguns com quem eu não tinha qualquer contato há tempos), assistir muitos episódios de House; mas eu acabei não fazendo centenas de coisas que tinha planejado. CNH, dentista, academia, estudar pra arranjar uma vaga de monitoria, organizar os arquivos no HD, comprar o esfigmomanômetro, tirar umas fotos da cidade? Jamais. Além de tantas outras coisas. Não vai mais dar tempo.
Agora é se conformar e se preparar para mais uns vários meses longe de casa, com a cara metida nos livros (porque é lógico que nesse semestre eu vou estudar mais do que no passado), tentando ser mais ação e menos planos, e arranjar um jeito de manter a sanidade.
ouvindo: The biggest flower, Ben Kweller.
Quero dizer. Foi muito legal ficar de bobeira, dormir muito, rever minha família e alguns amigos (sobretudo alguns com quem eu não tinha qualquer contato há tempos), assistir muitos episódios de House; mas eu acabei não fazendo centenas de coisas que tinha planejado. CNH, dentista, academia, estudar pra arranjar uma vaga de monitoria, organizar os arquivos no HD, comprar o esfigmomanômetro, tirar umas fotos da cidade? Jamais. Além de tantas outras coisas. Não vai mais dar tempo.
Agora é se conformar e se preparar para mais uns vários meses longe de casa, com a cara metida nos livros (porque é lógico que nesse semestre eu vou estudar mais do que no passado), tentando ser mais ação e menos planos, e arranjar um jeito de manter a sanidade.
ouvindo: The biggest flower, Ben Kweller.
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