Balanço

Por essa mesma época do ano passado eu estava com o estômago revirando de nervosismo. Agora meu estômago está bem mais sossegado, há pouco com o que se preocupar. 2008 foi um ano bom, no fim das contas, mas altos-e-baixos é o que melhor define esse ano que passou.

Ganhei muitos quilos, alguns amigos; fiz besteiras e viagens; realizei vontades, aprendi coisas e esqueci tantas outras; comprei uma decepção a médio prazo e tive sucesso nisso; deixei coisas de lado, mas o tempo também não foi tão fácil de organizar; fiz planos que não necessariamente cumpri, mas foi um ano produtivo. Sinto que cresci um bocado, e ainda estou lidando com as minha novas dimensões, me acostumando, sabe? Ganhando uns hematomas de bater por aí. Enfim, foi um ano bom em muitos sentidos.

E que venha 2009.

[Sei que é meio bobeira essa história de querer tudo novo no ano novo, mas eu queria um blog novo, eu acho. Começar do zero tem um gosto bom. Mas acho que vou ficar por aqui mesmo, porque encontrar uma url que preste dá trabalho demais.]

lendo: Um estudo em vermelho, Sherlock Holmes.

Maybe your baby's got the blues

Eu não sei se era a constante ocupação, se era o frio, se era a novidade, mas Curitiba me fazia bem. I mean, eu gosto daqui, e das pessoas principalmente, e tava morrendo de saudades, é fato, mas chegando aqui as coisas meio que desandaram. Há nesse ar alguma coisa que me esmaga, me toma o fôlego, me desanima. Lá tou eu toda abusada de novo, apesar de todas as saídas e risadas com amigos, e paparicos de família; me sinto meio de saco cheio, meio agoniada. Uó. Devorando livros e seriados, dormindo excessivamente pra fazer o tempo passar mais depressa.

Alguém minsprica? Porque eu não tou conseguindo, ein.

25 de dezembro

Já faz muito tempo que o Natal perdeu a graça e se tornou apenas um data que eu comemoro por respeito aos outros.

lendo: Persépolis, Marjane Satrapi.

- Lui dites pas que j'vous l'ai dit.

Não sei mais agora o que fazer com todas aquelas coisas não ditas que se acumularam e depois, por falta de esperança, guardei em caixas de despejo; aquelas frases delicadas que eu tinha ensaiado para dizer a 1cm de distância do teu ouvido e murcharam por falta de oportunidade, e de coragem.

Não sei mais agora o que fazer com todas aquelas coisas não ditas que eu tinha escondido a ponto de não mais lembrar, sendo trazidas assim de novo à tona. Inesperadamente descobrir que um dia já houve reciprocidade, mas ninguém teve coragem de arriscar um passo e, dessa incomunicabilidade, cada um ficou quieto no seu canto. Obedecendo Drummond, ninguém amou. E a noite esfriou.

Nesse dia não dormi direito, sonhei confusamente contigo e acordei agitada, mas sem lembrar bem por quê. Melhor assim, talvez? Só sei que foi efeito colateral de ver fotos antigas e pensar em tantos talvezes irremediavelmente (?) já perdidos com o tempo.

ouvindo: Quelqu'un m'a dit, Carla Bruni.
lendo: Reparação, Ian McEwan.

Férias

Estou em casa. Descanso merecido, um calor das Arábias, mimos dos pais, pêlos de gato na roupa e tentando achar um jeito de ver todas as pessoas que eu quero ver já faz tempo. Aproveitando o ócio lindamente.

ouvindo: Meditação, BossaCucaNova.
lendo: O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams.

Peso

Tem essa dor que mora no meu peito e me acompanha.
E às vezes ela dá na língua um gosto de coisa conhecida e mofada, mesmo quando tudo à volta é novidade.

Velha resmunguenta

"Reclamação" é, de longe, a tag mais usada nesse blog.

ouvindo: Skinny Love, Bon Iver.

Problemas de logística

Vou de avião, recebi há pouco a confirmação das passagens, mas não sei até que ponto isso é vantagem. Seria vantagem se os vôos fossem ser em horários bons, porque a tal reunião vai ser num hotel perto do aeroporto e tudo seria muito simples: era só ir cantando com a mochila nas costas durante 300m de caminhada.

Mas no fim das contas vai ser meio caótico, porque saio daqui na sexta de noite, perdendo metade da festa de confraternização da minha turma, e só vou voltar na segunda de manhã. E é exatamente o intervalo de tempo que eu ficaria fora de Curitiba caso fosse de ônibus, sendo que com algumas complicações adicionais, do tipo depender de pessoas que nem conheço ainda para me hospedarem ou pagar hotel, e deixar de estudar algumas boas horas pra prova final de Biofísica que tenho quase certeza que precisarei fazer, e deixar Aninha sozinha no domingo, e precisar arranjar meios de me deslocar na cidade. Mas agora a reserva já foi feita e não rolar de dar pra trás; acho que pra cancelar tem que pagar, e isso não é uma boa opção.

Nem contei isso lá em casa ainda, porque é muito trabalho explicar tudo. Depois da viagem feita eu conto, que nem quando fui pra São Paulo. É mais simples do que deixar minha mãe com o coração na mão me imaginando vagando ao léu em outra cidade grande.

Quem sabe rola de fazer uns turismos em POA e acaba sendo legal. Ruim que nem conheço ninguém de lá. Mas viagens nunca são totalmente frustrantes, pelo menos pra mim. Respirar outros ares é algo de que tenho necessidade constante.

PS.: Alguém aí tem dicas de lugares pra eu conhecer?