Compromissos e burocracia

Como eu não consigo viver em paz, sempre fico arranjando sarna pra me coçar. Aí que eu assumi um cargo aí da vida, e sábado vai ter uma reunião importante. Em Porto Alegre.

Como eu não vou pagar pra trabalhar, lógico, arranjarei as passagens. Mas por questões burocráticas e financeiras, possivelmente terei que ir de ônibus. Na verdade, mais burocráticas do que financeiras, porque os preços são ali ali. Vou tentar resolver isso amanhã, mas já estou me preparando psicologicamente.

O que é chato porque eu bem queria ficar o fim de semana inteiro de pernas pro ar depois da semana do inferno, mas isso não vai acontecer. Porque, veja bem, o grande problema de viagens de ônibus, sobretudo as que duram 12h, é: o que fazer com as pernas? Cruza, descruza, joga prum lado, pro outro, abraça, estica, et cetera, ad infinitum. Tudo isso incomodando o mínimo possível a pessoa do lado. Tomarei Dramin pra poder dormir, certeza. Ou, na pior das hipóteses, estudarei Biofísica, caso eu pegue final.

Sem falar que eu já tinha resolvido ficar aqui mais uns dias justamente porque Aninha Luiza vai fazer vestibular e não tem coisa pior do que fazer uma prova que consome a alma da pessoa e chegar em casa e não ter ninguém pra pelo menos dar um abraço. (Isso aconteceu no ano passado, e meu consolo foi que pelo menos tava passando Closer na televisão.) Mas enfim, c'est la vie, say the old folks.

E não que isso aqui tenha muitas visitas, mas se alguém que lê isso escondido for de POA e quiser dar um alô no fim de semana, estaremos aí.

ouvindo: Fell in love with a girl, The White Stripes.

Histeria coletiva

Rumores fortíssimos sobre datas e locais dos shows do Radiohead no Brasil. E, sobretudo, início da venda dos ingressos. Como alguém pode se concentrar nos estudos desse jeito? Não tem como!, não tem mesmo.

ouvindo: This mess we're in, Thom Yorke & PJ Harvey.

pondo os pingos nos ii

mas também não estaria sendo sincera se dissesse que olho pro que passou e não sinto ainda doer aqui dentro. e enquanto doer, é porque ainda não é perdão.

há muito mais coisas que eu queria ter dito, mas é que, a essa altura já não valeria mais a pena. palavras ao vento, pra ninguém. não tem conserto, nem nunca terá : a delicada estrutura da bolha de sabão se rompeu. nem eu queria que tivesse, esse soneto não merecia uma emenda. e de quem era a culpa pela surdez temporária, pela cegueira transitória? de ninguém, talvez de todo mundo; é que às vezes o cérebro simplesmente pára de funcionar. e no momento em que eu abri as portas - da casa, do peito - é porque houve confiança. mas não se deve confiar tanto no instinto. mas acontece, e a gente segue em frente. e sim, há coisas que ficam melhor quando não ditas.

Coisas que eu já deveria ter feito e não fiz,

e que me causam problemas práticos ou psicológicos: abrir uma conta de banco numa agência de Curitiba; lavar meus tênis - todos eles; perder os quilos que ganhei desde o início do ano; ficar em dia com as coisas da faculdade, inclusive marcar aquela droga de prova de 2ª chamada; decorar o apartamento e fazer ele perder metade dessa cara de lugar-alugado-de-onde-eu-posso-sair-a-qualquer-minuto.

Pós-prova



Agora é tentar se distrair um pouco e se preparar mentalmente pro que há de vir. (Prova final?) Aguardem cenas do próximo capítulo.

Ai ai

Amanhã eu tenho prova e de repente tou de cama. Que maravilha ficar doente.
(Sem falar que ninguém da sala responde minhas mensagens. Adoro ser ignorada.)

Nomadismo


E não é nem que eu não esteja gostando de Curitiba, pelo contrário. Mas às vezes me pego pensando se vou conseguir ficar aqui até o fim do curso, porque tem dias em que me ataca essa vontade de sair correndo por aí. Talvez comprar uma moto, sabe? Algo no meio termo entre Diários de Motocicleta e Kino no Tabi; uma mochila, um Moleskine, um grafite 0.5, uma câmera e um livro da Clarice. Antes eu achava que o problema era estar parada em Natal; a verdade é que o problema é estar parada em qualquer lugar.

(Por que danado eu fui escolher Medicina?)

Enxaqueca strikes again

São 21h15 e eu estou de óculos escuros, esperando o remédio fazer efeito e desistindo de tudo pra ir dormir um pouco; mas colocando o despertador pra daqui a uma hora e planejando virar a noite com o computador ligado pra digitar o relatório da entrevista que fiz com a paciente pra disciplina de Propedêutica e com o livro aberto, pra terminar de ler a matéria pra prova de Esplancno (só umas 100 páginas de termos anatômicos, figuras complexas e outras coisas que exigem demais da memória).

Preciso não dormir daqui pra sexta.
Ou melhor, daqui pra dezembro, o que seria na verdade uma boa saída pra todos os meus problemas em grande parte relacionados com falta de organização e enrolação e procrastinação.

I (heart) good covers

O dia começou tranqüilo, faltando a aula inútil de Biofísica pra ficar de bobeira e depois estudando em casa. E pra completar, Those dancing days fazendo cover de Toxic.
Baixem djá!

Eye of the tiger

Mas tem uma hora em que a gente tem que acordar pra vida e começar a tentar fazer coisas certo, né? O racional tomando as rédeas e gritando: ô, veí, sério, vampararcoessaputariaê.



De uma vez por todas, por mais que doa, e dê trabalho, e exija muito, repitam comigo: do it all the way, do it all the way.

Você sabe do que eu estou falando

Assisti "Me and you and everyone we know" e agora tou querendo comprar o livro da Miranda July, porque depois do filme e de passar horas nos sites dela, sou fã. Espero pra pedir de Natal, junto com o estetoscópio (é, vou começar a precisar de um..) ou compro agora, com o dinheiro que minha avó mandou de presente? Mas na versão original em inglês de visual clean ou na versão brasileira que tem um título meinadaver e uma foto mais bonita na capa?

ouvindo: Unattainable, Little Joy.
lendo: Flores raras e banalíssimas, Carmen L. Oliveira.

Repensando



- But if things were reversed - you know, like that movie Freaky Friday - you can be sure Pam and I would be sent to our rooms for all our Friday. Yes, they would give us a time-out and tell us we could not come out until we had really thought about what we had done. ... What have we done? ... But... there are no time-outs, there's not enough time for... time-out.

(Me and you and everyone we know)

ouvindo: Janta, Marcelo Camelo & Mallu Magalhães.

pro dia nascer feliz

desisti e fui dormir um pouco, que nada do que eu fizesse ia resolver mesmo. aí hoje de manhã o cabo da câmera de ana luiza foi capaz de resolver meu problema (ou parte dele) e agora eu já consigo passar o arquivo pro computador e vou poder apresentar na aula. ainda bem. deu alívio danado agora.

agora é só encarar o resto de todas as outras coisas.

murphy

nesses dias em que a gente tá assim pequenininha, o azar podia dar uma trégua. são mais de 4h da manhã e nada do que eu tentei foi suficiente pra fazer o mp3 player (e conseqüentemente a entrevista gravada nele e pela qual eu vou ser avaliada às 7h da manhã) ser reconhecido no computador. e eu não tenho caixas de som. e eu vou ser reprovada, e vou ter que gravar fita de novo, no meio da correria das provas. e eu tou surtando, quero ir pra casa agora, mas tem todo um fim de semestre pra levar.

eu preciso de um abraço.
sério mesmo.

sei que não tenho aparecido muito

, mas é que os sentimentos estão assim numa senóide descontrolada e tem dias em que eu estou muito bem, e dias, como hoje, em que eu estou apenas ok, e respiro fundo e penso, é, lá vamos nós de novo, seguindo em frente, porque é muita pretensão achar que eu mereço sofrer menos do que qualquer um por aí, e nem é também como se houvesse um motivo qualquer, é só uma conjunção de pequenos fatores, que você deixou se avolumarem e tomarem proporções astronômicas, bem aqui dentro da sua cabeça, porque externamente isso não é nada. cada um tem seu universo de problemas, e por que os meus seriam tão mais noticiáveis? não são. minha mãe pergunta como estou, e eu digo que tou indo, que vou tentar ficar bem. tentar não, é pra ficar, ela diz, e não é como se fosse assim tão simples. e sim, sinto saudades, mas não é como se eu achasse que pertenço exatamente a algum lugar, ou que estar em algum lugar é que vai mudar esse fardo de ser quem se é. never let them see how lost you really are, dizia o poema, mas eu não sei se esconder isso vale o esforço. e canalizo as forças pra outras coisas, ah como quero ser forte, preciso ser, e olho pela janela, esse quadro que eu tanto gosto e que é a parte preferida da casa de todo mundo que vem aqui (engraçado, a parte preferida ser o mundo lá fora, uma paisagem numa janela de vidro), sentar na escrivaninha e abrir a janela, ficar sentindo o vento frio que arrepia e abraça numa noite fria, mas sem chuva, os carros pequenos indo e vindo lá embaixo. e teve aquele dia em que o coração de repente palpitou ligeiro e eu saí de banda, pisando duro e fingindo qualquer coisa; e aquela da lágrima escorrendo pequena junto com a lóri e seus terremotos interiores, que também existem aqui; e eu só queria que esse sentimento fosse embora, por que a gente se desgasta por coisas que não valem a pena?, acho que é meio masoquismo, vai saber, mas é difícil se desfazer dessa bagagem de frustrações e decepções que a gente foi colecionando sem querer. e aí isso faz a cabeça doer, e o estômago queimando, o intestino que não funciona, e a moleza que se espalha pelo corpo inteiro, e a vertigem ao meio-dia. vontade de tomar aqueles comprimidos pra enjôo que sobraram da viagem (dois dias inteiros num ônibus olhando paisagens e cantando sozinha), os comprimidos que trazem sono como efeito colateral, dormir pra fugir do mundo, mas dormir é se entregar e, ah, eu tenho tanto pra fazer, tanto, tanto, tanto, tanto.

*sigh*

ouvindo: Sleeping torpor, Anathallo.
lendo: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector.

E o sol nasce, mais uma vez.

Ah, sei lá, ignorem o outro post. Foi um surto, exacerbado pela flutuação hormonal, eu penso. Tou melhor agora. Mas a coisa que eu mais quero é que o semestre termine e eu vá pra casa.

ouvindo: Plain Gold Ring, Nina Simone.

No fundo do poço.. e cavando

Eu tenho plena consciência do que está acontecendo comigo, mas eu não estou conseguindo lidar. E não é como se houvesse um grande motivo, é apenas uma confluência de coisas ruins e/ou mudanças grandes que eu deixei - sem querer - tomarem proporções maiores do que aquelas outras coisas, as boas.

Tou eu aqui, em casa, faltando aula de novo e de repente me pego chorando pelo simples fato de que duas ligações deram errado. É difícil admitir, mas acho que.

Casa de ferreiro, espeto de pau

Sou estudante de Medicina, mas quando a questão é cuidar da minha própria saúde as coisas nunca vão muito bem. Certo que eu não sou a mais enlouquecida da vida, eu como frutas todo dia, até gosto de salada. Fora o trajeto da faculdade, sempre ando a pé e só bebo raramente, quando saio com a galera. (Caipirinha de kiwi, te quiero.)

No entanto, há muito que eu deveria mudar. Do tipo voltar a fazer exercícios regularmente ao invés de ficar em casa me enrolando infinitamente e tendo preguiça e comendo por tédio, tomar direitinho as vitaminas e aderir aos tratamentos com regularidade, não racionar a água de beber e ir ao médico pra fazer a consulta de rotina que mamãe pediu desde julho(!) e fazer uns exames e ver se tá tudo legal. (Na verdade, eu sei que não tá.) Preciso ir numa nutricionista (ô, alguém aí já conheceu nutricionista homem? Porque eu não.) pra me ajudar a acertar minha alimentação; na verdade, preciso de uma equipe multiprofissional inteira me vigiando 24/7 e que me ajude a tomar jeito na vida - perder esses kgs que sobram no cálculo do IMC, controlar essa ansiedade, me livrar desses sintomas de depressão.

Ou talvez eu só precise fazer terapia pra deixar de ser viadinha. Como é que eu quero cuidar das pessoas um dia se nem de mim eu dou conta?

ouvindo: Bruised, The Bens.
lendo: Pantaleón e as visitadoras, Mario Vargas Llosa.