Eu queria escrever bobices sobre preguiça, sobre engordar-emagrecer, sobre roupas, sobre essa tensão pré-vestibular, sobre ansiedade, sobre como minhas últimas tentativas de escrever são desesperadamente bregas e sobre nunca ter ido a uma festa a fantasia (quer dizer, teve aquela festa brega em que eu vesti uma coisa assim meio 80's bitch e foi tão divertido), mas.
Amanhã vou pra casa da minha avó, a algumas poucas horas de distância daqui, numa cidade quente feito uma franquia do inferno e preciso ir ali arrumar minhas coisas. E tenho que aumentar o ritmo das revisões e tenho centenas de coisas pra ler e tenho que manter o controle e tenho que evitar o computador, porque se eu sentar aqui, as horas voam enlouquecidas, como naquele dia em que eu, depois de meses, inventei de voltar a jogar The Sims 2 e me empolguei tanto em construir casinhas que fui dormir às 4h, ou como ontem, que fiquei no MSN, também até 4h, conversando e fingindo que estudava matemática ao mesmo tempo, pra diminuir o peso na consciência.
Já me chamaram de bruta, já me deram um livro de presente pra ver se eu abria um sorriso, já me leram versículos da Bíblia, já me disseram desejar toda a sorte do mundo, já me deram chocolates. Quem disse que adianta mais do que só um pouco? E tudo o que mais quero nesse momento é que esse meu humor seja passageiro e melhore 15000x daqui pra antes de botar o pé naquele avião, no rumo de novos ares, pessoas diferentes. E esperanças mais verdes, também; e que elas tenham frutos doces.
ouvindo: Why are you looking grave?, Mew.
Gimme gimme more.
Tipo, os planos eram ser uma pessoa direita. Chegar da aula, almoçar bonitinho e tomar as vitaminas, não vir pro computador em hipótese alguma e estudar Biologia a tarde todinha que Deus deu, antes da maratona de Física à noite e ler Descartes antes de dormir.
Maaaas decretei que hoje é o dia da bagaça.
Dispensei o almoço comportado na cozinha pra comer cartola assistindo Heroes e a bomba que nunca explode na cama do quarto, e agora vou fazer de conta que a vida é mole e o tempo sobra, lavando o cabelo e vendo qual é a do álbum novo da Britney que vazou e eu -claro!- já baixei. Sente a pressão.
- (Prometo que) Voltaremos à programação normal em pouco mais de uma hora.
ouvindo: Piece of me, Britney.
Maaaas decretei que hoje é o dia da bagaça.
Dispensei o almoço comportado na cozinha pra comer cartola assistindo Heroes e a bomba que nunca explode na cama do quarto, e agora vou fazer de conta que a vida é mole e o tempo sobra, lavando o cabelo e vendo qual é a do álbum novo da Britney que vazou e eu -claro!- já baixei. Sente a pressão.
- (Prometo que) Voltaremos à programação normal em pouco mais de uma hora.
ouvindo: Piece of me, Britney.
Depois daquele gato morto
É que era tudo de uma violência tão ríspida, que ela preferiu ficar calada.
Simples, sabe, como se tudo voltasse. E volta mesmo. Não ao normal., Mas ao estado das coisas. À forma que tinham tomado antes. E tomam de novo. Tudo estranho, externo, difícil. Mas arrumado. Era assim que ela queria. Na verdade, não. Era assim que ela podia, e isso era o suficiente. Tinha que ser.
Aí apareceu. Um momento. Vago. Deus. Um homem. Um cachorro. Um besouro. Besouro, isso, besouro. Não era uma barata, ela sabia a diferença.
"O que você está fazendo? Deixa isso aí e vem. Não se brinca com isso"
"Não vou brincar."
"Vai fazer o quê?"
"Vou guardar até que apodreça. Ou cresça. Ou multiplique. Não faz diferença. Só quero guardar."
"Cala a boca e vem. Porque eu te amo e nâo quero te fazer mal."
Ela não queria. Mal. Só guardar. Apertar. Os pomos podres podem de vez em quando exalar um cheiro doce. Enjoa. Doce.
Queria? Tinha que voltar.
Tinha? Sempre essa questão. Não fez, não havia voltado tantas vezes, e nada havia acontecido. Faziam muita coisa, mas no dia seguinte tudo, tudo, tudo, tudo, tudo era igual. Ela queria mudar. Só não gostava de.
ouvindo: Reckoner, Radiohead.
lendo: O existencialismo é um humanismo, Sartre.
Simples, sabe, como se tudo voltasse. E volta mesmo. Não ao normal., Mas ao estado das coisas. À forma que tinham tomado antes. E tomam de novo. Tudo estranho, externo, difícil. Mas arrumado. Era assim que ela queria. Na verdade, não. Era assim que ela podia, e isso era o suficiente. Tinha que ser.
Aí apareceu. Um momento. Vago. Deus. Um homem. Um cachorro. Um besouro. Besouro, isso, besouro. Não era uma barata, ela sabia a diferença.
"O que você está fazendo? Deixa isso aí e vem. Não se brinca com isso"
"Não vou brincar."
"Vai fazer o quê?"
"Vou guardar até que apodreça. Ou cresça. Ou multiplique. Não faz diferença. Só quero guardar."
"Cala a boca e vem. Porque eu te amo e nâo quero te fazer mal."
Ela não queria. Mal. Só guardar. Apertar. Os pomos podres podem de vez em quando exalar um cheiro doce. Enjoa. Doce.
Queria? Tinha que voltar.
Tinha? Sempre essa questão. Não fez, não havia voltado tantas vezes, e nada havia acontecido. Faziam muita coisa, mas no dia seguinte tudo, tudo, tudo, tudo, tudo era igual. Ela queria mudar. Só não gostava de.
(Y.K.)
ouvindo: Reckoner, Radiohead.
lendo: O existencialismo é um humanismo, Sartre.
A caminho da sala de aula
- E aí, meninas? Como vocês estão?
- Eu estou uma delícia selvagem. *passando a mão no corpinho*
- Eu estou uma delícia selvagem. *passando a mão no corpinho*
Quinta-feira, 7h da manhã

É incrível como as pessoas podem ser cruéis, falando coisas sem se importar com o estado emocional das outras. Por que criticar é sempre tão mais fácil do que oferecer uma palavra de incentivo?
Nessas horas, frente à impossibilidade de abrir a porta e fugir, faixa de velocidade da avenida, respiro fundo, coloco os óculos escuros e fico vendo a sombra que o sol faz nas árvores dos canteiros, as pichações nos viadutos, os que esperam o ônibus pro trabalho. Coloco mais uma camada na minha concha de isolamento, não olho pra trás e não desejo bom dia.
ouvindo: Weird fishes/Arpeggi, Radiohead.
Romance is dead.
Acabei de ver Pride and Prejudice.
Filmes românticos de final feliz me fazem lembrar do meu lado século XVIII, me provocando sorrisinhos de óun-que-lindo sempre sempre. Ao mesmo tempo, me deixam deveras deprimida, porque, convenhamos, além de paranóica e complexada, costumo ser (na maior parte do tempo) racional demais e, Mr. Darcy, alou?
ouvindo: Fake Empire, The National.
Filmes românticos de final feliz me fazem lembrar do meu lado século XVIII, me provocando sorrisinhos de óun-que-lindo sempre sempre. Ao mesmo tempo, me deixam deveras deprimida, porque, convenhamos, além de paranóica e complexada, costumo ser (na maior parte do tempo) racional demais e, Mr. Darcy, alou?
ouvindo: Fake Empire, The National.
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